Meio&Mensagem

Paula Lindenberg

Vice-presidente de marketing da Ambev

Trabalhar na mesma empresa por 14 anos pode, em alguns casos, gerar uma rotina cômoda e com poucas novidades. Não se essa empresa for a Ambev — e se essa funcionária for Paula Lindenberg. Com um longo período de dedicação à empresa, ela experimentou diversas áreas, cargos e países até se tornar, em março deste ano, a primeira mulher a ocupar o posto de vice-presidente de marketing da companhia.
A trajetória de sucesso começou bem antes disso, em forma de sonho juvenil. “Sempre quis trabalhar com marketing e a Ambev era minha grande inspiração”, confessa. Após concluir a faculdade de administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, ela começou a traçar os caminhos que a levariam ao seu objetivo. Fez estágio na Johnson & Johnson, foi trainee na Unilever e, depois, deixou a capital paulista para trabalhar, por dois anos, na Philip Morris, em Curitiba. Essa seria a primeira das várias mudanças geográficas que teria na carreira — e a que a impulsionaria diretamente para a empresa dos seus sonhos. Por intermédio de um ex-chefe que, havia deixado a Philip Morris para trabalhar na Ambev, em São Paulo, ela finalmente teve as portas abertas para ingressar na
companhia. “Desde então, aconteceu tanta coisa que é até difícil resumir.” Embora tenha percorrido diversas marcas do portfólio da companhia, as cervejas
sempre estiveram presentes em sua rotina. Depois de cuidar das estratégias da Skol, veio o primeiro desafio internacional. A empresa a enviou ao Equador para liderar a construção da marca Brahma no local. “Na época ainda não tinha filhos, mas achava que meu marido não toparia. Para minha surpresa, ele me incentivou muito e embarcamos juntos. Foi uma experiência super-rica”, recorda. Culturalmente bem diferente do Brasil, o Equador rendeu passagens curiosas. “O país é bem machista e algumas pessoas diziam ao meu marido que aquela situação, de ele ter de mudar de país para acompanhar o trabalho da esposa, era
estranha”, lembra, destacando a importância do apoio do companheiro, com quem está casada há 12 anos.
Um ano depois da jornada sul-americana, Paula retornou ao Brasil para cuidar das marcas premium da Ambev. Posteriormente, assumiu a divisão de insights e entendimento ao consumidor. Nesse período, vieram as duas filhas: Luiza e Estela. Ao retornar da licença maternidade de sua caçula, veio outra mudança geográfica: foi escolhida para assumir o departamento global de insights da Ambev, direto de Nova York. Aí, o desafio pesou um pouco mais. “Tinha receio por conta da adaptação das meninas, que eram pequenas e não falavam inglês. Mas resolvemos encarar e o resultado foi ótimo”, lembra.
Os três anos de permanência nos Estados Unidos são lembrados por Paula como o período de maior união da família. “Como éramos apenas nós, estávamos sempre os quatro, grudados, passeando, brincando e nos divertindo”, conta. Essa rotina durou até março deste ano, quando a promoção trouxe a família de volta ao País.
Levar um olhar mais feminino à comunicação de um produto tão atrelado aos homens, como a cerveja, é algo que motiva o dia a dia da executiva. “As mulheres são um grande público consumidor de cerveja e queremos fazer uma comunicação mais democrática, que utilize menos estereótipos e contemple mais pessoas”, defende, incluindo-se nesse público feminino amante das geladas. “A coisa que mais amo fazer é sentar com amigos no bar, tomar uma cerveja e conversar por horas”, revela.
Essa é uma das formas que Paula tem de ajudar a equilibrar a árdua rotina de trabalho com a vida familiar. De olhar atento e fala tranquila, ela garante ter aprendido a dosar suas múltiplas funções, graças ao apoio do marido, com quem divide as tarefas do lar e cuidados com as filhas e às viagens com a família. Apenas uma tarefa não está bem encaixada. “Detesto fazer ginástica. Faço porque preciso, mas se pudesse, evitaria”, confessa, entre risadas.
Ao avaliar sua carreira, ela destaca o fato de não ter enfrentando obstáculos adicionais por ser mulher. “Na empresa, a meritocracia prevalece. Se a pessoa faz um
bom trabalho, independentemente do gênero, ela terá boas chances”, reflete. “Fico muito feliz de notar que, entre os estagiários e trainees que chegam à Ambev, 50% são mulheres. O equilíbrio está bem maior”, acredita.
Como legado, Paula espera tornar sua área de marketing o benchmark da companhia no mundo. E também espera sentir, por diversas vezes, o frio na barriga que teve quando foi contratada, quando encarou as experiências internacionais e quando voltou ao Brasil, para assumir o marketing. “Sempre que tiver a sensação de executar grandes projetos e fazer a diferença, estarei feliz.”

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